Bandido

Hélio Neri

Bandido, novo livro de poemas de Hélio Neri, retoma em chave particular uma tradição metalinguística. Há uma espécie de casamento místico com a poesia, em que a relação do autor com o texto se desvela como declaração de amor. Não se engane, porém, o leitor: mais que de amor, essa relação é de paixão e se dá por caminhos tortuosos, senão torturados, uma espécie de luta visceral com as palavras, como se tivéssemos embarcado desavisadamente na rebentação indagativa de Procura da poesia, de Drummond. O autor, que em seu livro anterior, Palavra insubordinada, se debruçou com ousadia sobre o mal- estar urbano, não se afasta desse olhar. Sua poética é impregnada do real sem glamour da periferia da metrópole. Um mundo de obstáculos, impossibilidades e perdas, mas visto com ironia cósmica: “o que permanece/ o que resiste/ [...]/ acaba; tal qual qualquer coisa/ sonhos, fortunas/ eu, o Hélio, definitivamente/ tudo acaba”. Contrasta com esse mal-estar, entretanto, uma insaciedade, uma busca incessante do absoluto, à Sá Carneiro: a poesia seria então a nave introjetada que poderia nos levar a esse lugar utópico, “como quem acende uma vida dentro da própria vida quando compõe um poema ou lê”.

Ruy Proença

Formato: 12 x 21 cm
ISBN: 978-85-66766-10-3
Páginas 96
Edição 1a
Tipo de Capa Brochura
Ano 2014
Idioma Português

Sobre o autor

Hélio Neri nasceu em Santo André (SP), em 1973. Bandido é o seu terceiro livro de poemas.