Histórias zoófilas

Wilson Alves-Bezerra

A zoofilia e a atrocidade ligadas à biografia na banda hispânica nos remetem a Borges e à sua História Universal da Infâmia, com personagens excessivos, afetados, com o demo no ombro. O excelente “O homem que se perdeu” passa pela oralidade de um Brasil profundo, orientado por um sertão literário expandido por Rosa, onde Wilson atravessa pactos fáusticos, engrandece, expande a leitura deste zoológico que não tem limites dentro de uma literatura nacional; aqui a zoofilia é uma paixão e as paixões movem, são uma questão de devir (a zoofilia em Quiroga, em Kafka, em Greenaway). Como em todas as coisas, ninguém sabe do que é capaz um corpo. A zoofilia pode oscilar entre aquele que escuta harmonias no canto dos pássaros e o bruto livre que mata e que massacra (uma besta qualquer). [...] Sabemos que a voz da besta pode ser o grito, a lágrima, o grunhido. Sabemos que incendiar uma casa pode servir para ver, que o câncer tem sua retórica que termina sempre no silêncio, que a vida é insuficiente e que a literatura também é.

José Luis Martínez Amaro

Formato: 13x20 cm 
ISBN: 978-85-66766-08-0
Páginas: 164
Edição: 1a (Coedição com a EdUFSCar)
Tipo de Capa: Brochura
Ano: 2013
Idioma: Português

Sobre o autor

Wilson Alves-Bezerra é autor de Reverberações da fronteira em Horacio Quiroga (Humanitas/FAPESP, 2008) e Da clínica do desejo a sua escrita (Mercado de Letras/FAPESP, 2012). Tradutor de Horacio Quiroga e de Luis Gusmán. Colabora como resenhista em jornais como O Globo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora; já colaborou com o extinto Jornal do Brasil. Sua tradução de Pele e Osso, de Luis Gusmán, foi finalista do Prêmio Jabuti 2010, na categoria Melhor tradução literária espanhol-português. É professor do Departamento de Letras da UFSCar, onde também atua no Programa de Pós-graduação em Estudos de Literatura.